"Véio! Esses caras pensam que MÚSICA é trilha sonora da vidinha de alguém".
Perfeito! Especialmente vindo de um músico talentoso.
Tudo acontece por um motivo, uma razão ou uma causa.
Nos últimos dias vi dois filmes cujos personagens principais eram paranóicos. O primeiro foi Disturbia e o segundo The Number 23. Disturbia é um filme abaixo da média que conta a história de um moleque que perdeu o pai, agrediu um professor e foi condenado a prisão domiciliar, sem ter nada para fazer em casa começa a bisbilhotar os vizinhos. Certa noite ele vê um vizinho matar uma mulher e começa a paranóia, que é acentuada quando o mesmo vizinho começa a namorar a mãe dele.
Este semestre foi o mais excitante dos últimos anos e é incrível como isso pôde acontecer. Se você conviveu comigo neste semestre, provavelmente, concorda que o termo “incrível” foi bem utilizado na frase anterior. Vou tentar fazer um balanço do semestre com foco nas atividades acadêmicas e com objetivo de comemorar o fim das aulas que aconteceu ontem (10/12/2007).
Este semestre fiz duas disciplinas: Computação Ubíqua e Sistemas Computacionais Distribuídos. Adicionalmente, trabalhei em dois projetos: SOHand e KyaTera. Ministrei algumas aulas para curso de mestrado do DC-UFSCar, algumas aulas para a graduação no ICMC-USP e um minicurso na Semana da Computação do ICMC-USP. Para finalizar, fiz duas palestras: uma na SEMFISMA (Andradina-SP) e outra no JustJava 2007 (São Paulo – SP).
Quanto às disciplinas, comecei um pouco assustado porque não é fácil voltar a sala de aula depois de um ano e meio “longe” dela. Teoricamente eu deveria ser proficiente nestas duas disciplinas, no entanto, o tempo me mostrou o contrário. Em ambas aprendi muito com os professores e, especialmente, com os colegas devido aos inúmeros seminários.
Quanto aos projetos, iniciei meus trabalhos no projeto SOHand, sob a orientação do Prof. Edson dos Santos Moreira, antes do início das aulas. Me senti à vontade pois os problemas a serem atacados eram relacionados ao meu trabalho de mestrado. Inicialmente, eu e o Davi investigamos e implementamos o handover entre Bluetooth e Wi-Fi no Linux (sem se preocupar com a interrupção da conexão). Em seguida, nasceu a idéia de Wireless Footprinting que, em poucas palavras, é uma aplicação que armazena informações sobre as redes sem fio que são alcançáveis em um determinado percurso do usuário nômade. Em outubro, fui alocado no projeto KyaTera, sob a orientação do Prof. Carlos Antônio Ruggiero, no IFSC-USP. Este é meu projeto atual e minha função é gerenciar a rede KyaTera em São Carlos-SP. Já no primeiro dia de trabalho tive que acompanhar dois técnicos responsáveis pela instalação dos equipamentos da rede óptica entre São Carlos, Campinas, Rio Claro e Araraquara. Foi um período de aprendizagem intensa e já me tornei um especialista em redes ópticas com alguma bagagem teórica e prática (mais prática que teórica). Provavelmente irei trabalhar neste projeto até 03/2008.
A parte mais divertida do semestre foram os laboratórios, apesar das noites sem dormir. Ciente de que a motivação faz toda a diferença cheguei até a oferecer prêmios (tickets do badejão) para os alunos que participassem da aula. No DC-UFSCar ministrei metade dos laboratórios da disciplina Computação Pervasiva (Prof. Responsável: Wanderley Lopes de Souza) para uma turma do mestrado. No ICMC-USP, ajudei o Sadao com os laboratórios práticos da disciplina Redes de Alto Desempenho (Prof. Responsável: Edson dos Santos Moreira) para duas turmas da graduação. O minicurso na SemComp(X) foi intitulado “Computação Móvel: Uma introdução prática”. Semana passada recebi, da organização do evento, a compilação dos feedbacks dos alunos do minicurso e fiquei muito feliz em saber que a galera gostou do curso.
Em ambas palestras abordei temas relacionados a Computação Móvel e a implementação de aplicações com Java ME. A palestra em Andradina-SP foi uma aventura, eu e o Sr. Villas fomos de carro até Salmorão-SP e de lá partimos para Andradina. No caminho o pneu furou, mas chegamos a tempo. O convite partiu do Prof. Ricardo, vulgo “mendoin”, que foi nosso colega de turma no mestrado. Eu e o Sr. Villas proferimos as duas palestras da noite. A palestra no JustJava 2007 foi muito proveitosa porque tive a oportunidade de conhecer outros desenvolvedores como, por exemplo, Bruno, Lucas, Neto e Robison. Neste ano o evento teve uma track só para Java ME, méritos do Maurício Leal.
As empresas de telecomunicação querem utilizar mecanismos para determinar de onde os pacotes IP estão vindo, para onde estão indo e o que estão carregando. Dessa forma, elas podem tarifar a comunicação, tanto no lado cliente como no lado servidor. Tomemos como exemplo uma empresa de telefonia celular, com o mecanismo supracitado tal empresa pode determinar qual o volume de pacotes, que trafegam na sua rede, provenientes dos servidores do Google e, com isso, pode exigir que o Google e/ou os clientes paguem por isso. Outro exemplo é o tráfego P2P (Peer-to-Peer) que poderia ter preços elevados para ressarcir as empresas detentoras dos direitos autorais da obra que está sendo compartilhada. As questões são: Quem deve controlar a Internet? (O governo ou as pessoas?) Quem deve pagar por isso? (As grandes empresas ou você?).
Seguem dois vídeos que abordam o assunto:
Aconteceu, no IEA-USP (Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo), um ciclo de seminários que versaram a respeito dos capítulos do livro “The Wealth of Networks” escrito pelo professor Yochai Benkler. Tal iniciativa foi liderada pelo professor Imre Simon (IME-USP) que a anos vem promovendo a discussão entorno do conhecimento livre na esfera acadêmica.
Em poucas palavras, o livro aborda o impacto social da Internet, com foco na economia interconectada. O exemplo típico são os sistemas de comunicação em broadcast como, por exemplo, a televisão que não permitem a interatividade do usuário, em outros termos, o usuário é passivo (infelizmente isso continuará, praticamente, do mesmo jeito com o modelo de TV Digital adotado no Brasil). Por outro lado, a Internet permite que o indivíduo conectado se torne um gerador de informação, esta proposição é materializada, por exemplo, pela febre de blogs que existem hoje.
O livro começa apresentando as características da Economia Industrial da Informação e da Economia Interconectada da Informação. A primeira possui poucos produtores ou integradores ativos, com uma grande barreira de entrada, devido aos elevados custos, e tem muitos consumidores passivos. Já na segunda, a barreira de entrada é o acesso a Internet e cada consumidor pode virar um produtor de informação.
Esta discussão é muito interessante, pois estamos imersos nesta realidade e o conhecimento dos impactos sociais da Internet é importante para a formação do senso critico do cidadão. Só li o primeiro capítulo, em breve postarei meu feedback sobre outros capítulos.
